7 de fevereiro de 2010

Tarde de domingo,


O calor invadia toda a casa. Mesmo deitada dentro da banheira Luciana podia sentir na ponta de seu nariz- única parte de seu corpo que não estava submersa- uma gota de suor rolando vagarosa ao encontro da água e da espuma.

Fora da banheira havia somente o caos. Pétalas de rosas espalhadas pela casa: meia dúzia de rosas chilenas cortadas, mastigadas e cuspidas. Os caules- e os espinhos- continuavam espetados na espuma do vaso. O que feria eram as pétalas: era o que um dia foi bonito e agora jaz no chão sujo ainda mais feio do que o que feio sempre fora.

A gata estava deitada em cima da pia e hora ou outra piscava um olho: sempre o esquerdo. No olho de Luciana hora ou outra nascia uma lágrima: sempre no direito.

Tanto barulho. Tantas coisas arremessadas. Tantas palavras afiadas. Tantos sentimentos ao avesso. Por anos gritara o amor e, constatando sua ineficiência, decidiu gritar o ódio. Porque isso não tá certo, não tá certo. Ninguém agüentaria isso, ninguém. Não, não fala que eu estou fazendo drama. As rosas? As rosas perderam o por quê. Toma! Engole as rosas. Fode com as rosas. Eu pago! Quanto foi?

Os lírios continuavam em cima da geladeira: sobreviventes do massacre. Talvez o destino das rosas seja sempre mesmo mais sombrio.

Um livro e: quanto mais escura a noite, mais brilham as estrelas.

Luciana estava de olhos fechados.


3 comentários:

Ana Flávia disse...

Você é incrivel sua boba, se liberta dessa menina, e se espalha pro mundo.

Century Child disse...

Suadações Lady Lazarus. So passei pra deixar uma resenha acercando seu escrito, de grande qualidade literaria, meus parabens. Otima a forma como vc coloca as palavras, um tanto quanto cultas aos olhos de um leigo como eu, mas por traz disso, ha uma grande criatividade, uma escritora de talento.
Deixo aqui sobressaltado que em meu texto "Uma tarde de domingo", nao quiz te copiar, passa la no Letrinhas & Letrinhas e da uma lida e deixe sua critica.
Abraço fraterno

Century Child

L. disse...

Me senti honrada,como nunca. E um tanto confusa.
Há tanto de mim e de ti. Meu nome, tuas rosas, teu sofrimento, ou meu? O gato...

obrigada...