6 de janeiro de 2008

Não.

Eu vou indo como consigo. Às vezes, para cada passo em frente eu volto cinco para trás. Andei para trás, desandei, cai, não levantei. A vida inteira passa e eu fico olhando completamente alheia a tudo que vejo; eu não pertenço mais a mim.
A janela em frente ao morro verde me encara, mas eu não quero olhar para lá- a natureza que de tão perfeita imperfeita se fez.
Penso sobre a morte. Não viver é uma forma de morrer, Natália. Mas eu não nego a minha não-vida.
É tudo uma sucessão enorme de não. Não vive, não morre, não fala, não escreve, não ama, não odeia. Eu não.
E você: sim ou não?

2 comentários:

Vertov Rox. disse...

eu não!
Já cruzei a linha da vida, atravessei de peito aberto o parapeito do prédio. Desisti da normalidade.

Agora vivo desmorto, perambulando pelas calçadas sujas, nas ruas escuras e nas galerias fechadas.

Não estou em lugar algum, tampouco nos lugares que desejei estar, não habito as bandeiras dos revolucionários, não preencho os palcos de liquidificadores distorcidos, tampouco ilustro ilustres galerias.

Apenas estou aqui.
Estou consumindo, cuspindo, dormindo e amando. Como todos nesta insana e insone sociedade.

Rajko disse...

Eu?

Não-sei.