3 de maio de 2009

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Está tudo morto a minha volta. Os sentimentos que entreguei a um homem qualquer. A vontade de amor. A merda toda está morta. Sou sempre eu que vou dormir sozinha. Enrolo meus braços em meu corpo e no calor da solidão durmo como quem pede por acordar jamais.
Os laços de fita cheios de nós repousam sobre a confusão que se tornou a estante, o quarto, o mundo todo. Eu teria tudo se não tivesse escolhido a entrega. Eu teria tudo? Deuses brincam de gangorra no parque enquanto eu corro a procura de qualquer coisa que tem que estar ali, ou aqui, em algum lugar.
O café frio dá vontade de vomitar. Guardo tudo: sentimentos estragados, lágrimas por vir e o frio de um corpo morto enrolado a mim.
Já não sei. Não sei onde começa e onde termina essa coisa toda que se transformou em minha realidade.
Eu quero amores sinceros e não essa podridão fétida que me rodeia desde aquela curva na estrada.

3 comentários:

Má R. disse...

cansei de deuses brincalhões.
minha vida não pode ser uma piada só pra mim?

Christiano Scheiner disse...

querida e bela poeta, não se desanime e enfrente mais os homens estes que pela curva capotam, mas nós em nossa angustiosa estrada não estaremos também passando despercebidos quase levitantes por entre os mortos? É uma ousadia da poesia, sim, levitar. Ela é chão mais que pensamos. Esteja mais presente, nas palavra que sejam, na divulgação constante de teu nome próprio e veja os olhos arderem daqueles que por inveja nunca conseguiram linhas tão belas de escrita como as tuas.
beijos mil.
chris

BAR DO BARDO disse...

"Eu quero amores sinceros e não essa podridão fétida que me rodeia desde aquela curva na estrada.", isso é beat, baby!!!

Muito bom.