20 de novembro de 2007

O menino do homem.

Olhava o relógio. Sempre o relógio a marcar seus minutos perdidos. E sempre a exigência de perder-se menos. Os planos falhavam todos e ele olhava o relógio e ouvia o tiquetaquear minutos segundos sempre atento ao que lhe tomava de si.
A parede à esqueda, a parede à direita, a parede em frente e atrás. Estava cercado o menino que abominava a orgia do homem. Preso estava e o que fazia era gritar. Seu grito sôfrego manifestava-se no homem como um suspiro- ou nem isso.
Era quase hora de. O relógio não parava nunca e o tempo abocanhava o tempo do homem.
E as garras vermelhas dela o traziam para si. E o sexo rigo do homem a penetrava com toda a sua força. Deixar com ela toda a dor do dia. Deixar com ela todo o sentimento inútil. Se fazer homem e abafar o grito do menino. Suspiravadepois do sexo sem amor, união de conveniências, casualidades.
Acontece que o homem odiava casualidades e se banhava nelas para sentir o prazer de se machucar nas agulhas do tempo em que vive.
E o relógio continuava contando. O diabólico relógio que o lembrava que o tempo não pára.
Nunca.

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