12 de setembro de 2010

22:09



Um quarto. O vazio que dói dentro da cabeça oca. De súbito enxergo a  imagem do meu (constante) fracasso. Pela noite que adentra o quarto a vontade que engolfou-me foi a de me abraçar e chamar por Deus. Lembrei do ateísmo de meu pai e de como em seus últimos anos a descrença no homem o levou a acreditar n'Ele. No barulho da chuva não O encontrei; em meus dedos cruzados em minhas costas as únicas epifanias envolveram solidão & sabotagem. Chamei pela força que supus existir dentro de mim. Pedi por ajuda as outras que outrora fui e que quase-mortas me servem de deuses quando a chuva pontua os minutos que.
Sem respostas. Apenas o respirar daquela que, menor que eu e Ele, destroça as minhas crenças;  em mim e n'Ele. Acreditando em pequenas coisas perdi a capacidade de enxergar o grande, e nele me salvar. Da determinação sobraram apenas duas coisas nas quais não devo acreditar. Do dia sobram duas horas que, perigosas, instigam em mim a vontade de ser mais do que apenas isso. Um quarto.

Um comentário:

Christiano Scheiner disse...

uauu, belíssimo, um quarto, um quarto de horas, um quarto, um quarto de alguma coisa como o tempo: adoro-te e mais, beijos, chris ;)